Bela Vista/Bixiga – Bairros Paulistanos

O bairro tem em seus dois extremos rios que o margeiam, antigo vale do Córrego Saracura localizado á baixo a av. 9 de julho e o vale do Ribeirão Itororó, localizado em baixo da Av. 23 de maio que hoje estão canalizados.

Em 1860, o Largo dos Piques atual Praça da Bandeira, era aonde se vendia os escravos. Aonde possibilitava todas as fugas para a região do bexiga, mais próxima a margem dos rios, com relevos que dificultava encontra-los.

A chácara do Bexiga em 1773, possuía um matadouro. Uma das hipóteses do nome, era que as crianças pegavam a bexiga do boi para utilizar como bola para brincar.

Com a venda do terreno de  de A.J.L. Braga e Companhia, em 28 de Junho de 1879, o jornal da província nunciou em primeira pagina : “Vendo por propostas todas as matas dos terrenos do Bexiga pertencentes a A.J.L. Braga e Companhia”.

Assim foi o ponto de partida para o nascimento do bairro. Nessa época a capital estava em crescimento, com a chegada dos imigrantes italianos que se interessaram pelos primeiros lotes com preços baixos e se mudaram para a região.

Com suas ruas estreitas de 60 palmos de largura e aclives, que lembravam bem as  pequenas aldeias da Itália. A maioria dos estabelecimentos eram de italianos calabreses. Começaram a surgir sapateiros, artesãos, padeiros, quitandeiros, e tudo que necessitavam para meio de sustento das famílias que ali chegaram.

Os primeiros registros referentes ao Bixiga é de 1559, conta-se de uma grande fazenda  chamada Sítio do Capão, cujo dono era o português Antonio Pinto ( tabelião de Santos).

Em 1564,  um surto de varíola ataca São Paulo, bexiga era um nome popular para a doença.Registros de Atas da Câmara em 1564: “as doenças foram muitas e as bexigas mataram muita gente e os que escaparam estão ainda que não podem trabalhar”. A região do Bexiga pode ter servido de refúgio aos “bexigosos” pela distancia do centro da vila. Devido a fala popular o ”e” de Bexiga  passou a ser ”i” e logo se tornou Bixiga. Outra hipótese para a fala popular do nome de Bixiga com “i”.

Seu crescimento lento, com os dois idiomas muito falado em suas ruas, o português e italiano. Em algumas ruas o italiano era mais falado do que a própria língua da pátria.

O compositor Adoniram Barbosa o eternizou na maioria das suas canções. Mesmo não sendo do bairro, foi considerado um símbolo do Bixiga. Em 1910, deixa de ser Bixiga através de um decreto municipal. A partir daí chama-se Bela Vista. Mas nada mudou, na fala popular o lugar continuou a ser Bixiga com ”i”.

créditos: Wilson Melo 6.fev.1986/Folhapress -Jornal Folha de São Paulo

Em 1948, o Bixiga se torna o bairro mais boêmio da capital. Neste mesmo ano o industrial Franco Zamparina fundou na  rua Major Diogo o Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), a grade semente da agitada vida cultural e noturna do Bixiga, que perdura e cresce a cada dia.

linha do tempo bela vista/bixiga

 

 

O Bixiga foi o primeiro bairro a se tornar a “Broadway-Bixiga”. A cada dia que passava novas casas de espetáculos eram abertas, em seguida instalou-se o Teatro Imprensa, Oficina , Sérgio Cardoso, Ruth Escobar, Bibi Ferreira, Teatro Brigadeiro, Maria Della Costa e outros. O Paramount , onde a inesquecível Elis Regina ficou mais de um ano em cartaz com o show Falso Brilhante, um marco na história dos musicais brasileiros.

Na imagem a esquerda temos um resumo geral das transformações e festas populares do bairro desde sua fundação ate os dias de hoje.

Hoje o Bixiga exala cultura, tanto pela qualidade dos espetáculos, seja por suas ruas que mostram o movimento das crianças que ali brincam e a diversidade das pessoas que vem morar no Bixiga. Hoje encontramos a imigração italiana, que foram os percussores  na formação do bairro e criação dos teatros, mas também se misturam restaurantes de culinária do Norte, Nordeste do país, Árabe e outros points badalados que o tornam a boemia do Bixiga viva.

 

Ainda nos dias de hoje, não se sabe muito precisamente as limitações do Bixiga, por ele estar dentro do distrito da Sé, no sub-distrito Bela- Vista.

 

 

Uma pesquisa de:

Logomarca sppatrimonio.com.br Instituto Bixiga de Pesquisa, Formação e Cultura Popular

 

 

 

Bibliografia:

PONCIANO, Levino. Bairros de São Paulo de A a Z. Ed. senac. São Paulo-SP.

MARZOLA, Nádia. Bela Vista – Histórias dos bairros de São Paulo. Vol.15 . Prefeitura Municipal de São Paulo.Secretária de Cultura. Arquivo Nacional.

Guaraldi, Bibiana. Teatros deram vida e histórias ao Bexiga. Jornal Folha. Acesso em 21/09/2017 <http://especial.folha.uol.com.br/2016/morar/paulista-centro/2016/05/1766375-teatros-deram-vida-e-historias-ao-bexiga.shtml>.

Imagem: Webdocumentario Bixiga Existe
Material cd-rom: com painéis da Exposição de 30 anos do Museu do Bixiga.
Video: Vimeo O BIXIGA AFRO-ITALIANO, pelo Coletivo Mapa Xilográfico

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