Palacete Franco de Mello – Arquitetura dos palacetes no Período do Café

Fonte: TOLEDO (1987, pg. 55).

O palacete do Sr. Joaquim Franco de Mello, coronel e agricultor muito rico que fundou a cidade de Lavínia, situa-se na Avenida Paulista, nº 1919 como mostra imagem 4.53, entre as ruas Padre João Manoel e Alameda Rocha Azevedo. A casa serviu de residência para ele, sua esposa e três filhos: Raphael Franco de Mello, Rubens Franco de Mello e Raul Franco de Mello e foi construída pelo construtor Antônio Fernandes Pinto, em 1905; sendo um dos melhores exemplos de arquitetura no estilo eclético, pois mistura influências de vários estilos arquitetônicos do passado aliado as novas tecnologias de maneira harmoniosa. (GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO, processo 22121).

 Sua construção térrea foi feita sobre um porão alto, em um lote de 4720m², com 40m de frente por 118m de profundidade. Desse terreno, foram doados 10m de frente e 10 metros de fundo para alargamento das vias. (GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO, processo 22121). Era uma residência de classe alta com um esquema arquitetônico modesto, pois lembrava as casas de classe média de bairros como Campos Elíseos e Bom Retiro.

O palacete contava com sala de visitas, escritório, três quartos, dois banheiros com W.C., sala de jantar, cozinha, copa, dispensa e quarto para criada. Podemos distinguir o banheiro com W.C., pelo fato de possuir latrina com sistema de fossa fixa esvaziada a cada mês (pouco usada dentro das casas naquela época), além  do fato de pressupor que haviam aparelhos sanitários importados de louça e outros acessórios. A parte social da casa localiza-se na frente, valorizando-se mais este espaço para atender às visitas, já área íntima e parte da área de serviços como a cozinha, ficava nos fundos. O escritório, denominado de gabinete era o local específico para trabalho.

Como a casa era suspensa por um porão, que provavelmente era usado para arrumações, adega, geladeira ou até para acomodar a criadagem, a falta do contato direto com o jardim era solucionado através de uma varanda e uma bela escada de mármore para acesso. Possui uma mansarda renascentista e influências francesas no caixilho das janelas e nos enfeites do frontão do período de Luís XV. (GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO, processo 22121; NASCIMENTO, 2012).


Segundo o Livro do Tombo do CODEPHAAT, órgão pelo qual foi tombado, embora tenha sido construída em 1905, foi reformada em 1921, data em que foi ampliada. Hoje, ainda apresenta detalhes originais de sua construção como o piso de assoalho com tábuas de madeira claras e escuras que se alternam, as ferragens Yale, o teto de madeira na sala de jantar e os interruptores alemães. Porém, com a reforma, foi incorporada a edícula, que nada tem haver com a casa e outras modificações provavelmente ocorreram como o vitrô da saleta lateral. No entanto, existem elementos da fachada difíceis de se saber o que é original ou não, pois não constam na planta da reforma, como o coroamento do volume esquerdo que se destaca na fachada do volume principal e os três arcos que formam a loggia. (GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO, processo 22121).

Atualmente, o palacete apresenta-se muito deteriorado: sem pintura, com muitas infiltrações e vidros quebrados, além de conter vegetação nascendo em suas paredes. O imóvel passou por uma disputa entre o seu herdeiro e o governo paulista, sendo tombado pelo CONDEPHAAT, em 1992, como bem cultural de interesse histórico-arquitetônico e ambiental. Isso por se tratar de uma das primeiras residências da Avenida Paulista, de arquitetura em estilo eclético e pela vegetação de seu jardim com árvores remanescente de grande porte do antigo Caguaçú, pés-de-café e flores. Como não há um grau de proteção específico de tombamento na publicação do Diário Oficial, entende-se que ele é totalmente protegido em G1. Atualmente, será transformado em um Museu da Diversidade Sexual, servindo de modelo e cultura para o povo. (ARQUICULTURA; NASCIMENTO, 2012).

“Entre os grandes edifícios, erguem-se ainda alguns casarões representativos do ciclo do café e da presença do imigrante. A importância destes imóveis não está apenas na sua arquitetura, mas no fato de lembrarem a urbanização e o crescimento da cidade. As” mansões da Paulista” representam papel importante no patrimônio cultural, justamente por documentarem a ocupação da avenida, em seus primeiros períodos de efetivação. (GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO, processo 22121,
1982, pg. 97).”

Planta do térreo do Palacete Franco de Mello.
Fonte: PROCESSO 22121 (pg. 108)
Organização da autora

Este palacete apresenta uma loggia por onde se faz a entrada social, dando acesso a um vestíbulo que distribuí o fluxo para  os cômodos laterais e para a sala de jantar ao fundo.Esta substitui o papel do hall, uma vez que esta planta apresenta uma moradia térrea e mais simples. Entretanto, a circulação é feita por pequenos corredores e os próprios cômodos (como a sala de jantar e a copa), o que significava que o esquema de organização espacial não é privativo e é pouco funcional. Apresentando resquícios da casa colonial, no fato de que ao cruzar a residência no sentido frente fundo, qualquer indivíduo circula por todos os cômodos  da casa e pelas três áreas (social, intima e de serviço). Por se tratar de uma planta retangular com os cômodos enfileirados.
Isso nos mostra que a caixa de escada em conjunto com o hall, faz falta nesta planta, pois ela organiza a distribuição espacial e dos fluxos de melhor forma; além de trazer uma privacidade maior ao não ter que utilizar parte dos próprios cômodos para circulação, também tem função de embelezamento com a forma escultórica da escada e substitui os corredores escuros, com iluminação natural através de claraboias ou vitrais.
Existia apenas um banheiro e uma latrina para toda a residência, nos mostrando que, apesar de ter uma sistema de fossa fixa que necessitava de aparelhos de louça sanitária e acessórios importados, ainda se parece com a casa colonial no que diz respeito a quantidade de banheiros, pois com a ideia de higienização, os palacetes passaram a ter banheiros nas três áreas: social, íntima e de serviços.

Ao analisarmos a fachada deste palacete, podemos perceber que é uma residência térrea sobre um porão alto.A entrada é feita pelo centro do volume principal, onde uma escada dá acesso a porta de entrada através de uma loggia, nos levando a pensar que a organização espacial se faz com um vestíbulo no centro que é responsável pela distribuição para os cômodos ao redor.
Mas como sua fachada é assimétrica e apresenta um volume que se destaca a esquerda, entendemos que ou o cômodo da esquerda do vestíbulo faz ligação com um segundo ambiente, ou ele tem uma dimensão maior que o da direita.
Como não há outros pavimentos acima, também não há caixa de escadas, nos levando a imaginar que
a torre com janela a direita, não foi feita com o propósito de trazer a iluminação para um hall com escada ou ambiente escuro, mas sim com o intuito decorativo, pois a boa iluminação e ventilação para o cômodo da lateral, já é alcançada Fachada do Palacete Franco de Mello. apenas com as janelas nele existentes.

Número do Processo: 22121/82
Resolução de Tombamento: Resolução SC–36, de 16-11-
Livro do Tombo Histórico: inscrição nº 209, p. 57,
Livro do Tombo Histórico: inscrição nº 209, p. 57, 09/02/1983pg
Área Envoltória: com raio de proteção de 300m

Para acessar a ficha técnica do imóvel no mapa, clique aqui.

 Autora : TEXEIRA, Carvalho Aline. Arquitetura dos palacetes e o morar da Elite de São Paulo no Período do Café.São Paulo.2015

Sobre a autora: Arquiteta e Urbanista – Formada pela Universidade Anhembi Morumbi em 2015 –  Seu trabalho de conclusão de curso : Arquitetura dos palacetes e o morar da Elite de São Paulo no Período do Café. São Paulo. 2015


Para citar este artigo: Aline Carvalho Texeira “O Palacete Franco de Mello –  Arquitetura dos palacetes e o morar da Elite de São Paulo no Período do Café.São Paulo.2015” 15 Set 2017.Sppatrimonio Brasil. Acessado 15 Set 2017. < http://sppatrimonio.com.br/palacete-franco-de-mello-arquitetura-dos-palacetes>

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